Com passada lenta e um olhar perturbador, o leão faz seu caminho em direção à jaula. Lá dentro, apenas um homem. A plateia, boquiaberta, teme pelo destino do pobre solitário. Será ele capaz de sobreviver à fúria imprevisível do rei das selvas? Terá meios para enfrentá-lo?
Silêncio. Os dois se encaram. Enfim, o domador saca um chicote e, em um gesto rápido e calculado, parece deixar o leão em transe: ele senta, deita, rola e – pasmem – dá a pata. A fera se amansa e cativa o público. Todos aplaudem, aliviados.
A arte de domar é para poucos. Além de uma técnica apurada e meses de ensaios, é preciso que se tenha um alto grau de intimidade com o seu objeto de trabalho; a confiança mútua é fundamental. Há milênios os mais diversos animais selvagens têm sido domados pelo ser humano. No entanto, nessa Copa do Mundo, o atacante uruguaioDiego Forlán mostrou que essa arte vai muito além das savanas africanas.
Foram poucos treinos, é verdade. Mas, ainda assim, ele dominou o que parecia indomável. Domou a bola que, para muitos, tem vida própria; a bola de trajetórias indecentes, que aterroriza até o mais consagrado dos guarda-metas. Forlán domou a Jabulani.
Contra Gana, pelas quartas de final, Forlán acertou um Balaço. Mas não um qualquer. Meteu logo um Balaço estacionário, o primeiro da Copa. Contra a Holanda, meteu outra sapatada de fora da área. Nos dois Balaços a Jabulani faz curvas inexplicáveis, confirmando o que já fora constatado: ela foi domada. E a torcida aplaude, aliviada.
Chupa esses Balaços!