Foi o grande poeta mexicano Octavio Paz quem um dia declarou que “(…) a arte é uma invenção da estética, que por sua vez é uma invenção dos filósofos. O que chamamos de arte é um jogo.” Señor Paz, você acreditaria se garantíssemos saber que jogo é esse?
Caso ainda estivesse vivo, o genial escritor, expatriado quando garoto graças à proximidade política entre seu pai e o revolucionário bigodudo Emiliano Zapata, teria uma manhã negra. Mais uma vez, o México foi eliminado precocemente na Copa do Mundo, confirmando a repulsão magnética que mantém seu selecionado de futebol orbitando a fase do mata-mata para sempre cair no mesmo buraco.
Bulgária, Alemanha, Estados Unidos e Argentina (duas vezes) são os responsáveis pela construção do instransponível muro que impede a passagem dos caros chicanos à gloriosa disputa das quartas-de-final. Intransponível até que provem o contrário.
Vamos lembrar que estamos falando de um povo autor de demonstrações vultuosas de superação e sangue frio quando o assunto é muro. Um bom exemplo da força de vontade mexicana é a facilidade com que conquistam diariamente a barreira em construção na fronteira com os estados do Texas, Arizona e Califórnia (de acordo com a resolução do congresso ianque de número 6061, e assinada pelo ex-presidente George W. Bush):
O balaço de Tévez poderia ter selado a vitória argentina, não fosse a garra de Javier Hernández, o Chicarito. É graças a ele que os jogadores mexicanos podem deixar a África do Sul com a cabeça erguida e a satisfação de voltar para casa com um balaço na bagagem.
Com um belo giro para tomar a frente da questionável dupla Demichelis e Otamendi, o jovem herói mexicano liberou um tiro indefensável no alto do gol, abrindo sorrisos de Tangamandápio a Guadalajara. Aqui está um balaço simbólico, que comunica de forma eloquente a mensagem de despedida que o México deixa no Mundial deste ano:
Una nueva generación restablece la esperanza de este pueblo.
Maradona, chupa esse balaço!